Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

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 poema de Manuel António Pina

     ilustração de Maria Priscila

       (retirados do livro "O pássaro da cabeça")

 

 

                              

A CABEÇA NO AR

 

            As coisas melhores são feitas no ar,

 

            andar nas nuvens, devanear,

 

            voar, sonhar, falar no ar,

 

            fazer castelos no ar

 

            e ir lá para dentro morar,

 

            ou então estar em qualquer sítio só a estar,

 

            a respiração a respirar,

 

            o coração a pulsar,

 

            o sangue a sangrar,

 

            a imaginação a imaginar,

 

            os olhos a olhar

 

                    (embora sem ver),

 

           e ficar muito quietinho a ser,

 

           os tecidos a tecer,

 

           os cabelos a crescer.

 

           E isso tudo a saber

 

           que isto tudo está a acontecer!

 

           As coisas melhores são de ar

 

           só é preciso abrir os olhos e olhar,

 

           basta respirar.   

 

 


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O MACACO E A VIOLA 

 

 

                                      

 

 

 

 

 

História de ATAÍDE DE oLIVEIRA

                                                        

                  (do livro Contos Tradicionais Portugueses, vol. I) 

 

Passou um macaco defronte de uma escola de meninas; mal estas o viram puseram-se a gritar: olhem o macaco com o rabo muito comprido. O macaco foi a um barbeiro e pediu que lhe cortasse o rabo. O barbeiro cortou. Voltou o macaco a passar defronte da escola e as meninas desataram a rir dizendo: Olhem o macaco com o rabo cortado! Tornou o macaco a casa do barbeiro e pediu-lhe o rabo.   

 

- Já o enterrei - respondeu o barbeiro.

- Pois levo uma navalha - disse o macaco.

 Pegou na navalha e saiu, encontrando uma mulher a escamar o peixe á mão. Deu-lhe a navalha. Momentos depois voltou a pedir a navalha.

 

- Perdi-a - respondeu a mulher.

- Pois então levo uma sardinha.

 

E o macaco foi com a sardinha até encontrar a mulher de um moleiro a comer pão sem nada. Deu-lhe a sardinha. Momentos depois voltou a pedir a sardinha.

- Já a comi - respondeu a moleira.

 

- Levo um saco de farinha.

 

E levou o saco de farinha. chegou a uma escola e deu o saco à professora. Momentos depois voltou a pedir o saco de farinha.

 

- As meninas já comeram a farinha em pão.

- Levo uma menina.    

      

 

                   

 

E levou a menina a casa de um homem que trabalhava em gaiolas. Momentos depois voltou à procura da menina.

 

- Foi para casa do pai - respondeu o gaioleiro.

- Levo uma gaiola.

 

E pegou numa gaiola e levou-a a casa de um violeiro. Momentos depois voltou a pedir a gaiola.

 

- Partiu-se.

- Pois levo uma viola.

 

Saiu o macaco com a viola e pôs-se a cantar e a tocar:

 

 

         Do rabo fiz navalha

         Da navalha fiz sardinha

         Da sardinha fiz farinha

         Da farinha fiz menina

         Da menina fiz gaiola

         Da gaiola fiz viola

         Tinglintim, tinglintim

         Eu já me vou embora.

         Tinglintim, tinglintim

         Eu já me vou embora.

 

 

 A BORBOLETA

 
            
    

A borboleta
caiu
na valeta,
ficou encharcada
e muito, muito
pesada,
sem conseguir
mexer as asas
para poder partir..
 
Gritava
mas ninguém
a ouvia,
chapinhava
mas quem ligava?
Viu-a o João
quando olhava
para o chão.
Pegou nela
e limpou-a
com uma flanela.
 
- Que linda borboleta
tem uma antena
branca e outra preta
 
            
 
Olhos chocolate,
riscas laranja,
bolas azul mate.
Ainda está magoada
vou tratar dela
até ficar curada.
 
Levou-a para casa
e escondeu-a na gaveta
 da cómoda rasa.
 
 

 

 

                         

 

 

A borboleta não gostou
e logo que teve oportunidade
bateu asas e voou.

 

 

                         
 

 
 

            
 

O João ficou triste
mas percebeu
que uma borboleta
não pode estar presa
nem numa valeta
nem numa gaveta.
Tem de voar
e desaparecer no ar.

 
 

     texto de Ana Ramalhete

     ilustrações de Pedro Ferreira

 

 

 

 

 

 


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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

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ra uma vez uma Folha, que crescera muito. A parte intermediária era larga e forte, as cinco pontas eram firmes e afiladas.
Surgira na primavera, como um pequeno broto  em um galho grande, perto do topo de uma árvore alta.
A Folha estava cercada por centenas de outras folhas, iguais a ela. Ou, pelo menos, assim parecia. Mas não demorou muito para que descobrisse que não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore. Alfredo era a folha mais próxima. Mário era a folha à sua direita. Clara era a linda folha por cima. Todos haviam crescido juntos. Aprenderam a dançar à brisa da primavera, a se esquentar indolentemente ao sol do verão, a se lavar na chuva fresca.
Mas Daniel era seu melhor amigo. Era a folha maior no galho e parecia que estava lá antes de qualquer outra. A Folha achava que Daniel era também o mais sábio. Foi Daniel quem lhe contou que eram parte de uma árvore. Foi Daniel quem explicou que estavam crescendo num parque público. Foi Daniel quem revelou que a árvore tinha raízes fortes, escondidas na terra lá embaixo. Foi Daniel quem falou dos passarinhos que vinham pousar no galho e cantar pela manhã. Foi Daniel quem contou sobre o sol, a lua, as estrelas e as estações.
A primavera passou. E o verão também.
Fred adorava ser uma folha. Amava o seu galho, os amigos, o seu lugar bem alto no céu, o vento que o sacudia, os raios do sol que o esquentavam, a lua que o cobria de sombras suaves.
O verão fora excepcionalmente ameno. Os dias quentes e compridos eram agradáveis, as noites suaves eram serenas e povoadas por sonhos.
Muitas pessoas foram ao parque naquele verão. E sentavam sob as árvores. Daniel contou à Folha que proporcionar sombra era um dos propósitos das árvores.
- O que é um propósito? - perguntou a Folha.
- Um razão para existir - respondeu Daniel - tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão para existir. Proporcionar sombra aos velhinhos que procuram escapar do calor de suas casas é uma razão para existir.
A Folha tinha um encanto todo especial pelos velhinhos. Sentavam em silêncio na relva fresca, mal se mexiam. E quando conversavam eram aos sussurros, sobre os tempos passados.
As crianças também eram divertidas, embora às vezes abrissem buracos na casa da árvore ou esculpissem seus nomes. Mesmo assim, era divertido observar as crianças.
Mas o verão da Folha não demorou a passar.
E chegou ao fim numa noite de outubro. A Folha nunca sentira tanto frio. Todas as outras folhas estremeceram com o frio. Ficaram todas cobertas por uma camada fina de branco, que num instante se derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho, faiscando ao sol..
Mais uma vez, foi Daniel quem explicou que haviam experimentado a primeira geada, o sinal que era outono e que o inverno viria em breve.
Quase que imediatamente, toda a árvore, mais do que isso, todo o parque, se transformou num esplendor de cores. Quase não restava qualquer folha verde. Alfredo se tornou um amarelo intenso. Mário adquiriu um laranja brilhante. Clara virou um vermelho ardente. Daniel estava púrpura. E a Folha ficou vermelha, dourada e azul. Todos estavam lindos. A Folha e seus amigos converteram a árvore num arco-íris.
- Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore? - perguntou a Folha.
- Cada um de nós é diferente. Tivemos experiências diferentes. Recebemos o sol de maneira diferente. Projetamos a sombra de maneira diferente. Por que não teríamos cores diferentes?
Foi Daniel, como sempre, quem falou. E Daniel contou ainda que aquela estação maravilhosa se chamava outono.
E um dia aconteceu uma coisa estranha. A mesma brisa que, no passado, os fazia dançar começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem arrancadas de seus galhos e levadas pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo.
Todas as folhas ficaram assustadas.
- O que está acontecendo? - perguntaram umas às outras, aos sussurros.
- É isso que acontece no outono - explicou Daniel - é o momento em que as folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam isso de morrer.
- E todos nós vamos morrer? - perguntou Folha
- Vamos sim - respondeu Daniel - tudo morre. Grande ou pequeno, fraco ou forte, tudo morre. Primeiro cumprimos a nossa missão. Experimentamos o sol e a lua, o vento e a chuva. Aprendemos a dançar e a rir. E, depois morremos.
- Eu não vou morrer! - exclamou Folha, com determinação - você vai, Daniel?
- Vou sim... Quando chegar meu momento.
- E quando será isso?
- Ninguém sabe com certeza - respondeu Daniel.
A Folha notou que as outras folhas continuavam a cair. E pensou:
"Deve ser o momento delas."
Ela viu que algumas folhas reagiam ao vento, outras simplesmente se entregavam e caíam suavemente.
Não demorou muito para que a árvore estivesse quase despida.
- Tenho medo de morrer - disse Folha a Daniel - não sei o que tem lá embaixo.
- Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural - disse Daniel para animá-la - mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão. E também não teve medo quando o verão se transformou em outono. Eram mudanças naturais. Por que deveria estar com medo da estação da morte?
- A árvore também morre? - perguntou Folha.
- Algum dia vai morrer. Mas há uma coisa que é mais forte do que a árvore. É a vida. Dura eternamente e somos todos uma parte da vida.
- Para onde vamos quando morrermos?
- Ninguém sabe com certeza... É o grande mistério.
- Voltaremos na primavera?
- Talvez não, mas a vida voltará.
- Então qual é a razão para tudo isso? - insistiu Folha - Por que viemos para cá, se no fim teríamos de cair e morrer?
Daniel respondeu no seu jeito calmo de sempre:
- Pelo sol e pela lua. Pelos tempos felizes que passamos juntos. Pela sombra, pelos velhinhos, pelas crianças. Pelas cores do outono, pelas estações. Não é razão suficiente?
Ao final daquela tarde, na claridade dourada do crepúsculo, Daniel se foi. E caiu a flutuar. Parecia sorrir enquanto caía.

 

Leo Buscaglia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                            Esopo

 

 

 

 

Certa manhã, um fazendeiro descobriu que sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa, mostrou-o à mulher, dizendo:

_ Veja! Estamos ricos!

Levou o ovo ao mercado e vendeu-o por um bom preço.

Na manhã seguinte, a galinha pôs outro ovo de ouro, que o fazendeiro vendeu a melhor preço. E assim aconteceu durante muitos dias. Mas, quanto mais rico ficava o fazendeiro, mais dinheiro queria. E pensou:

"Se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!"

Matou a galinha e, por dentro, ela era igual a qualquer outra.

Moral: Quem tudo quer tudo perde.

 

 

 

 
 
                                                                    
ma raposa, morta de fome, viu alguns cachos de uvas negras maduras penduradas nas grades de uma viçosa videira.

Ela então usou de todos os seus dotes e artifícios para alcançá-las, mas acabou se cansando em vão, sem conseguir.

Por fim deu meia volta e foi embora, consolando a si mesmo desapontada e dizendo:

- As uvas estão verdes e não maduras como eu pensei.


Moral da História:
Para uma pessoa vaidosa é difícil reconhecer as próprias limitações, abrindo assim caminho para as desventuras.

 

 

 

 

 

 

 

   Em um belo dia de verão, um cervo  chegou até junto a um regato, com muita sede. Quando inclinou a cabeça, viu na água a própria imagem e exclamou, orgulhoso:

- Oh, como eu sou bonito e que bonitos são meus chifres!

Aproximou-se mais e viu o reflexo das próprias pernas dentro da água:

- Mas como são finas as minhas pernas . . . - observou com tristeza.

Nesse momento surgiu um leão  que saltou sobre o cervo.

O cervo disparou pela campina, com tanta velocidade que o leão não pôde pegá-lo. Aí, o cervo entrou por dentro da floresta e logo os seus chifres se embaraçaram nos galhos das árvores. Em poucos instantes o leão saltava sobre o prisioneiro.

- Ai de mim! - gemeu o cervo. - Senti orgulho de meus chifres e desprezei minhas pernas . . . no entanto, estas me salvariam e estes causaram minha perda . . .

Moral da história:

"Muitas vezes desdenhamos daquilo que temos de melhor."

 

 

 


(O Garoto do "Olha o Lobo")


Um pastorzinho que cuidava de seu rebanho perto de um povoado gostava de se distrair de vez em quando gritando:

- Olha o lobo! Socorro! Olha o lobo!

Deu certo umas duas ou três vezes. Todos os habitantes do povoado vinham correndo ajudar o pastorzinho e só encontravam risadas diante de tanto esforço.

Um dia apareceu um lobo em carne e osso. O menino gritou desesperado, mas os vizinhos achavam que era só brincadeira e nem prestaram atenção.

O lobo pôde devorar todas as ovelhas sem ser perturbado.


Moral: Os mentirosos podem falar a verdade que ninguém acredita.

 

 

 


 

 


O Carvalho e os Juncos
 
Um grande carvalho foi arrancado do chão pela ventania, e arrastado por forte correnteza. Então dentro da água ele se viu no meio de alguns Juncos, e assim lhes falou:

- Gostaria de ser como vocês, que de tão esguios e frágeis, não são completamente afetados por estes fortes ventos.

Eles responderam:

- Você lutou e competiu com o vento, e conseqüentemente foi destruído; enquanto que nós ao contrário nos curvamos diante do menor sopro de ar, e por esta razão permanecemos inteiros, e a salvo.

Moral da História:
Para vencermos o mais forte, não devemos usar a força e sim a gentileza e a humildade.

 

 

 

 

 


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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

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notasmu2

 Histórias

Para encanto de miúdos e que os graúdos também podem ouvir.

 

 


publicado por marinhas às 23:57
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Corre corre cabacinha corre

 

 

 

A Última Floresta

 

 

 

 

 

 

 

 


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ABC Doido de Angela Lago

 

A Cor dos Olhos

 

 

 

 O Príncipe que guardava Ovelhas

 

Viver com as Fadas

 

 

 

 

     HISTÓRIAS DIVERSAS    

 

 


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DIVERTE-TE COM ESTA MÚSICA.

Não deixes de ver o filme.

TA MÚSICA.


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