Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

...

O MACACO E A VIOLA 

 

 

                                      

 

 

 

 

 

História de ATAÍDE DE oLIVEIRA

                                                        

                  (do livro Contos Tradicionais Portugueses, vol. I) 

 

Passou um macaco defronte de uma escola de meninas; mal estas o viram puseram-se a gritar: olhem o macaco com o rabo muito comprido. O macaco foi a um barbeiro e pediu que lhe cortasse o rabo. O barbeiro cortou. Voltou o macaco a passar defronte da escola e as meninas desataram a rir dizendo: Olhem o macaco com o rabo cortado! Tornou o macaco a casa do barbeiro e pediu-lhe o rabo.   

 

- Já o enterrei - respondeu o barbeiro.

- Pois levo uma navalha - disse o macaco.

 Pegou na navalha e saiu, encontrando uma mulher a escamar o peixe á mão. Deu-lhe a navalha. Momentos depois voltou a pedir a navalha.

 

- Perdi-a - respondeu a mulher.

- Pois então levo uma sardinha.

 

E o macaco foi com a sardinha até encontrar a mulher de um moleiro a comer pão sem nada. Deu-lhe a sardinha. Momentos depois voltou a pedir a sardinha.

- Já a comi - respondeu a moleira.

 

- Levo um saco de farinha.

 

E levou o saco de farinha. chegou a uma escola e deu o saco à professora. Momentos depois voltou a pedir o saco de farinha.

 

- As meninas já comeram a farinha em pão.

- Levo uma menina.    

      

 

                   

 

E levou a menina a casa de um homem que trabalhava em gaiolas. Momentos depois voltou à procura da menina.

 

- Foi para casa do pai - respondeu o gaioleiro.

- Levo uma gaiola.

 

E pegou numa gaiola e levou-a a casa de um violeiro. Momentos depois voltou a pedir a gaiola.

 

- Partiu-se.

- Pois levo uma viola.

 

Saiu o macaco com a viola e pôs-se a cantar e a tocar:

 

 

         Do rabo fiz navalha

         Da navalha fiz sardinha

         Da sardinha fiz farinha

         Da farinha fiz menina

         Da menina fiz gaiola

         Da gaiola fiz viola

         Tinglintim, tinglintim

         Eu já me vou embora.

         Tinglintim, tinglintim

         Eu já me vou embora.

 

 

 A BORBOLETA

 
            
    

A borboleta
caiu
na valeta,
ficou encharcada
e muito, muito
pesada,
sem conseguir
mexer as asas
para poder partir..
 
Gritava
mas ninguém
a ouvia,
chapinhava
mas quem ligava?
Viu-a o João
quando olhava
para o chão.
Pegou nela
e limpou-a
com uma flanela.
 
- Que linda borboleta
tem uma antena
branca e outra preta
 
            
 
Olhos chocolate,
riscas laranja,
bolas azul mate.
Ainda está magoada
vou tratar dela
até ficar curada.
 
Levou-a para casa
e escondeu-a na gaveta
 da cómoda rasa.
 
 

 

 

                         

 

 

A borboleta não gostou
e logo que teve oportunidade
bateu asas e voou.

 

 

                         
 

 
 

            
 

O João ficou triste
mas percebeu
que uma borboleta
não pode estar presa
nem numa valeta
nem numa gaveta.
Tem de voar
e desaparecer no ar.

 
 

     texto de Ana Ramalhete

     ilustrações de Pedro Ferreira

 

 

 

 

 

 


publicado por marinhas às 21:18
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